Viagens

Barcelona

Após tantas hesitações e pesquisas exaustivas lá fomos nós rumo a mais um destino desconhecido. Depois de um rápido e tranquilo voo chegámos ao ponto escolhido e assim que nos encontrámos no centro da cidade foi paixão à primeira vista. Esta cidade monumental oferece-nos uma diversidade incrível de edifícios graciosos e, como que em sintonia, alguns monumentos neles embutidos, passando muitas vezes despercebidos aos olhos dos mais distraídos. É o caso da Pedrera de Milá e da Casa de Batlló localizados na longa avenida Passeig de Gràcia. Uma das características que me extasiou mais em Barcelona foi mesmo o cumprimento das suas avenidas, que se revelaram muitas vezes quase intermináveis. O clima que nos recebeu, também não foi muito agradável pela simples razão de dificultar muito mais a deslocação, consequentemente, os quilómetros percorridos suaram um pouco esta aventura. No entanto, nem o calor nem as extensas avenidas nos desmotivaram a desflorar a grandiosidade desta cidade. Para além dos monumentos já mencionados, também explorámos a incomparável Basílica de La Sagrada Família, cuja dimensão é surreal tal como a sua beleza. Como é óbvio o Parc Guell é também uma atração a contemplar, tal como o Templo de Tididabo e o Castelo de Montjuic. Estes pontos merecem sem dúvida uma paragem obrigatória e atenta, mas se querem que seja sincera convosco o que mais me cativou em Barcelona não foram estes locais de visita pré definida, mas sim a vida que emana nas ruas desta cidade, ou dito por outras palavras, alguns sítios também de passagem importante, mas cuja entrada é completamente gratuita. Estou a referir-me ao mercado de La Boqueria e ao Bairro gótico, por exemplo. Estes foram sem dúvida dois dos locais que mais me cativaram: o mercado pelas iguarias - sim malta, uma das coisas que trouxe de Barcelona com um carinho especial foram uns quilinhos a mais- e o bairro pelo seu caracter arcaico que nos remonta a épocas passadas. Perto destes dois locais marcados no nosso roteiro, encontrámos também a Catedral de Barcelona que, não assumindo uma exceção aos restantes monumentos, também se revelou enorme e rica na sua arquitetura. Ainda relativamente aos sítios prediletos nesta cidade, tenho a acrescentar a Fonte Mágica de Montjuic. Malta, esta foi sem dúvida das coisas mais bonitas que vi na minha vida. Imaginem este quadro: uma noite de verão com um céu cor de breu e, de repente, numa praça de uma dimensão arrebatadora surgem vários feixes de luzes dançando com repuxos de água, imensos, numa sintonia perfeita, acompanhados de música de fundo. Foi-me impossível desviar o olhar e fechar a boca de espanto. O nome é-lhe fiel porque tudo aquilo que vi foi absolutamente mágico. Por fim, a famosa praia de Barcelona, Barceloneta. Bem, admito que vista de cima, no teleférico, é uma vista deveras agradável, mas a praia em si deixou um pouco a desejar exibindo toda uma aparência que repudio numa praia: pequena, com areia preta e bastante cheio. Mas foquemo-nos nos aspetos positivos: fiz o meu batismo no mar mediterrâneo e vi o sol magnífico de final de dia de verão ao som dos acordes quentes de rua tipicamente latina. Barcelona foi sem dúvida uma cidade que me surpreendeu e me fascinou, desde o mais belo monumento até à mais pequena esquina e é sem dúvida um lugar a que pretendo regressar um dia e explorar de novo, tal como um livro que acabamos de ler mas ansiamos por ler de novo, pois ficam sempre pequenos grandes detalhes por serem descobertos.


Lisboa Menina e Moça 

Ultimamente, Lisboa tem sido a minha segunda casa, e juro que não me estou a queixar. Pelo menos, não do facto de estar em Lisboa, mas da causa por de trás dessa deslocação... continuemos. Admito que esta cidade sempre me fascinou bastante. Lembro-me que desde pequenina sempre foi uma emoção ir à capital. Lisboa é um mundo. Consigo dividir esta cidade em essencialmente duas partes contrastantes: o lado da cidade mais tradicional (o meu predilecto, admito) e o lado da cidade mais citadino, assente num patamar mais futurista. No primeiro mencionado contemplo a Rua Augusta, a Avenida da Liberdade, o castelo de São Jorge e todos esses símbolos pertencentes a um passado tão presente no dia-a-dia de quem vive Lisboa. No segundo ponto concentro-me no Parque das Nações, nos arranha-céus que chegam às nuvens e nos edifícios que transpiram inovação. Lisboa é isto. E muito mais. São as ruas estreitas e as curvas acidentadas. É a música no ar e a arte nas calçadas. É o estaladiço do Pastel de Belém a ser literalmente devorado e a vista do Tejo bem ao nosso lado. Tudo isto é Lisboa. Não é linda a nossa cidade?  

Escape Sem Fumo 

Fecho os olhos e respiro fundo. Ouço os pássaros a chilrear e a clamor do mar. Sinto o vento suave e o sol cálido na minha face. Ouço o chocar das folhas agitadas pela brisa e o aroma das flores. 

 Desde pequena que venho à Arrábida e cada vez mais valorizo este lugar mágico. É incrível, mesmo indescritível, tudo o que se encontra à nossa disposição (sem qualquer preço) neste recanto de Portugal. Sinto que por mais vezes que visite esta Serra nunca serei conhecedora de todos os seus trilhos e caminhos, pois existem sempre mais segredos para desvendar e apreciar. Questiono-me de como é possível alguém desprezar esta paisagem idílica com poucos sinais humanos, e atrevo-me a dizer que é mesmo por esse motivo que a sua beleza subsiste. Por mais citadina que eu me reconheça ser, este escape será sempre o meu preferido. Nele não existem monstros de betão e transeuntes atarefados. Não existe humanização, apenas florestação.

 Abro os olhos e vejo verde, verde sem fim e de mil tonalidades e depois, por fim, o azul. 

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